Porque o amanhã é feito com as decisões que tomas hoje . Porque as decisões que tomas hoje só são válidas se olhares para ontem e perceberes onde e como podes mudar.
Este som é a prova de que hoje percebo o meu ontem… e que definitivamente saberei por onde ir amanhã …
Porque prefiro a agitação das chuvas , que a falsa calmaria dos dias cinzentos.
Porque prefiro viver no rebuliço das tuas loucuras ,que viver na paz da minha existência.
Porque devo sempre recordar que este é o som que escolhi para mim. E por isso, sejas tu quem um dia fores, fica a saber ,que desde que tragas a tempestade para os meus dias… podes entrar!
Mais cedo do que julgamos ficamos a saber que a decisão de bater a porta atrás de nós é bem mais difícil que o próprio acto. A incerteza custa caro no tempo de espera, pior que horas extras em dia de feriado nacional .
Só mais tarde entendemos que a vida pode ser feita disto mesmo: tempos suspensos em que não somos mais que decisões por tomar.
Valha-nos a certeza de que não fazer nada pode ser por si só uma decisão….
Já foi chamado por algumas vezes ao nosso panorama musical, quer, pelos diversos concertos que cá trouxe, quer, pelas obras que cá deixou bem “aportuguesadas”. A lembrar, a música “Paciência” que o João Pedro Pais e a Mafalda Veiga levaram em 2009/2010 aos palcos ( com a tournée Lado a Lado) , a sua participação no álbum “Palco” do Pedro Abrunhosa ( quem não se recorda da música “ Diabo no Corpo” ) ou mesmo a música “Flor” que deixou com a Maria João e o Mário Laginha.
Mas a verdade, é que a sua história é bem mais que isso .Quando Lenine apareceu no panorama da MPB, percebeu-se, que algo de novo iria surgir. O cantor/compositor trouxe o Rock alternativo* para a música popular brasileira.
Já com 45 anos, apresentou em 2004 (no albúm Incité)a homenagem à sua “ela“, através de uma música onde confrontou a sua musa com todas as musas dos cantores/compositores/escritores (quer brasileiros quer internacionais). Nestas vastas palavras ele tem a doce maravilha de deixar a sua musa intacta. Ela é Ela, livre de nome ou sujeito.
Se não fosse Lenine a cantar, diria que esta é uma música demasiado bem construída para ser cantada... deveria ser escrita, recitada e interpretada . Mas a verdade, é que o jeito calmo e a entoação recta que Lenine coloca nela, faz perceber claramente cada ponto, cada foco, cada uma das “musas de A a Z”.
Aqui, as palavras que escutam o som vão para além do que ele diz/canta. Cada linha e cada associação têm uma história. Cada mulher que ele referência existe na realidade ou no imaginário dos nobres artistas como ele.
Lenine tem muita história e nela tem muitas obras, mas, esta é sem dúvida uma das jóias da coroa do seu reinado.
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{Sobre o conceito de alternativo:
Concordo com a Luísa Sobral ( www.luisasobral.com) , quando disse numa entrevista que não gostava do rótulo “alternativo”.
Efectivamente, alternativo é todo e qualquer artísticas que vem para o panorama musicalcom o seu cunho pessoal… portanto… tudo é alternativo, dependendo da perspectiva.Melhor, tudo é uma alternativa }
Estou a aguardar as palavras certas para começar. O compasso exacto. Os instrumentos em uníssono. A melodia perfeita. O som ideal.
Se entretanto não conseguir reunir todas essas maravilhas, prometo que começo mesmo assim. Afinal de contas, a busca pela perfeição é um caminho demasiado longo para não ser apreciado. E depois, entre trilhos errados e estradas sem sentido, sempre vamos encontrando algo que interesse partilhar.